07 abril 2019

Nada novo sob o sol


Por quê eu estou fazendo isso? Por quê eu concordei? Ah, que preguiça de mim mesma. Não sei pra quê eu me coloco nessas situações. Fazer promessas que, sei que depois de um tempo, não vou cumprir mais.
Na verdade, eu sei o porquê eu faço isso, sim. Fico na expectativa de que eu volta a ser como era antes. A escrever toda e qualquer coisa que passe pela minha cabeça e conseguir formar toda uma história só com a construção de uma personagem e uma angústia. Era sempre tão fácil. Meus dedinhos rapidamente criava o enredo, as falas e os pontos altos e baixos.
Estou bem decepcionada comigo.
Vou tentar escrever pelo menos uma vez na semana, quem sabe duas. Mas minha cabeça está bem fora de ordem em relação às palavras e as histórias que aparecem na minha cabeça são mais clichês que todas que já escrevi.
É isto.

20 agosto 2018

Diário de crises


























Estou no meu último ano de faculdade e, como todo aluno, estou dando graças aos deuses. Mas tenho comigo a sensação de angústia. Estou sem rumo.
Sem rumo, perdida, cadê o caminho? O que eu vou fazer?
Continuo com meu emprego e continuo fazendo os freela? Arrisco sair e ficar só por conta dos freelas? Faço pós, faço outro curso?
Tentei, por tanto tempo, me convencer de que era o caminho certo. Para falar a verdade, nem sei se estou no caminho certo ou errado. Não sei. E isso acaba comigo, porque algumas partes da nossa vida está tudo certo, caminhando conforme previsto, mas aí vem uma que está com um problema maior e tira o brilho das outras. Nada fica bom. Nada serve.
Fico me perguntando se o que me incomoda está ligado ao curso que escolhi fazer. Mexendo aqui no blog e passando algumas folhas, percebi que, por pouco mais de três anos, minhas crises são direcionadas à um tema só. Meu diário de crises está cheio de incertezas, instabilidade e uma maré sufocante.
Já tentei me fazer acreditar que a calma que eu preciso está em alguma porta por aqui. Perdi a chave e nada me faz achá-la. Nem São Longuinho achou, mesmo com tantos pulinhos prometidos.


18 outubro 2017


Acreditar.
É a força que tento ter todos os dias. Força para acreditar que esses dias difíceis passarão, assim como das outras vezes. Acreditar que coisas boas têm seu próprio tempo para acontecer, que a sensação de vazio não é para sempre. Que quem me guarda e protege sabe da minha instabilidade e a conheça mais que eu mesma. Que me soprem que não há nada nessa vida que eu não conseguirei enfrentar. Tenho que acreditar e ter a certeza que amo o que faço e o que pretendo fazer, que as pessoas em quem confio me amem também.
Que as palavras que recortei das revistas e jornais voaram com a brisa que passou há alguns dias e esse é o motivo do caos: não consegui reorganizá-las.Que eu vou voltar. Preciso acreditar que a calma está na porta ao lado e que a chave dessa porta ainda está por aqui. São Longuinho, São Longuinho... três, seis, nove, doze pulinhos.
Me faz acreditar.

27 junho 2017

Palavras aos meus avós e tia, mortos

Essas são coisas da minha cabeça que estão aqui desde que entendi que vocês existem. Ou existiram. Pode sair um pouco desconexo, mas são os pensamentos de uma criança e de uma pessoa com um "quê" desespero.

Qualquer pessoa que me conheça, jamais terá uma parcela de noção da quantidade de litros que já chorei pela minha família há muito falecida.

Hoje, há 29 anos e um dia.

Eu não sei como nem o porquê, mas eu realmente me desesperava e começava a chorar e não conseguia parar. O peito ficava levemente dolorido (da mesma maneira que está agora) e demorava passar.

Percebi, recentemente, que sou uma pessoa de toques. Gosto de alguém e quero tocar, abraçar, sentir o calor e a energia que emana desse alguém. E eu me sentia a angústia em pessoa por não ter essa sensação. De sentir o calor de vocês, de sentir o aroma dos cabelos e da pele.

Ainda há muitas histórias e memórias que não ouvi e que não conheço. Sei que muitas não serão verdades absolutas, pois não serão vocês me contando. Mas já é melhor que nada. Sinto gratidão e uma inveja descarada de todas as pessoas que já me contaram um pouquinho de cada um de vocês. Gratidão por me darem a oportunidade de guardar tudo dentro de uma caixinha no coração e seguir formando a minha versão de vocês. E inveja por essas pessoas saberem muito mais de vocês que eu com minhas poucas histórias guardadas na caixinha.

Você já sentiu saudade de alguém que nunca conheceu? De alguém que nunca sentiu o cheiro, nunca apertou as mãos ou deu um abraço? De alguém que você não sabe como é o timbre da voz, se fala manso ou apressado?

Eu sinto. E muita.