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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Mudança no fim do túnel



Talvez eu ter mudado de caminho tenha feito a roleta do Universo girar e a pedrinha tenha caído em "MUDAR A VIDA DE ALICE". Eu, que ganhava a vida apenas escrevendo contos e textos em revistas femininas, agora trabalho de garçonete no bar à cinco quarteirões da minha casa. Não por necessidade, dizem que meus textos são bons, ganho bem com isso. Foi mais para mudar mesmo. Na verdade, não acho que foi uma peça que o Universo queria pregar em mim, talvez tenha sido instinto, natureza. No dia seguinte, eu voltei ao bar e tinha uma plaquinha dizendo que precisavam de garçonete. Na hora, olhei a placa e me senti indiferente quanto a ela, sentei na mesa e fui escrever.

Comecei a ficar sem ideias, já havia colocado absolutamente tudo de um pouco de mim em todos os textos que já escrevera. Comecei a pensar seriamente se as esquinas trocadas teriam sido uma boa ideia para mudar minha vida. Então dei uma olhada para fora do bar, minha vontade de sair correndo, por nenhuma lâmpada acender dentro de mim, aumentava a cada segundo. Assim que olhei para a porta, vi que tinha achado a luz no fim do meu túnel e nela havia algumas letrinhas piscando bem forte:

Precisa-se de garçonete. 
Tratar no balcão.

Minha salvação em duas frases, seis palavras e um avental. Tive a leve impressão de que certas pessoas não gostariam de saber daquilo, mas era para o meu próprio bem e para o bem do meu emprego. E outra, precisava de experiências novas, e estava sentindo que aquela seria maravilhosa. Bom, pelo menos era o que eu esperava. Fui encontrar minha inspiração naquele balcão, mas por hora, só encontrei o Zé. Sabe aqueles caras de uns quarenta e tantos anos e que os cabelos pouco grisalhos os deixam com aparência de experientes e bonitos? Esse é o Zé, que disse para eu chegar lá no dia seguinte às sete da noite.

Não contei à ninguém que estou trabalhando atrás de um balcão. Não quero dar explicações do tipo: Não! Não quero nem vou ficar a vida inteira levando cantada de bêbados e lavando copos. Até porque aquele bar não tinha tantos bêbados safados. Já disse, quero experiências novas e é isso que espero ter. Fazia tempo que não me sentia assim, entusiasmada e ansiosa com alguma coisa. Penso que estava errada de imaginar que estava à procura de alguém para me mudar, precisava mesmo era da minha criatividade renovada. E era isso que eu ia ter, à exatamente dezenove horas e trinta e quatro minutos.


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Mistérios que me prendem o sorriso



Procuro alguém com quem desabafar. Minhas incertezas, ansiedades e neuras estão de volta. Vindo devagar, mas sinto que não são o trio de sensações mais leve. Não sei o que fazer e o que faço, não sei se esta certo. Na maioria das vezes, não. Não quero me acostumar com estas idas e vindas dos meus sentimentos confusos e embaraçosos. As coisas não têm mais graça. Enjoo fácil de coisas, jogos, pensamentos e pessoas. Deve ser por isso que não tenho alguém para descarregar todas esses mistérios que me prendem o sorriso.

Creio que minha velha agenda já está de saco cheio de tudo o que escrevo. Porém, ela não tem do que reclamar, se não estivesse comigo estaria no lixo. Parece-me que é o que ela está virando. Um monte de palavras escritas para serem jogadas fora. Às vezes sem importância, às vezes com o mundo em poucas letras. Bobeira escrever? Para você, para mim é necessidade. Respeite, meu caro.

Porém, ninguém vê que sorrio para disfarçar o que realmente sinto, sorrio para não demonstrar o que escrevo ou o que penso. Já dizia Clarice: "Sorria sempre. Seus lábios não precisam traduzir o que acontece no seu coração." Sigo na risca o que ela disse, mas esses dias não estou conseguindo segurar. Parece que o universo inteiro está a favor da queda de minhas lágrimas e nada faz com que isso pare.

Preciso mudar. Melhorar minha auto estima, em primeiro lugar, para ver se muda a direção das minhas perturbações internas. Cortar o cabelo, de início. Sempre corto o cabelo quando algo não está bom. É algo involuntário, meu subconsciente simplesmente põe no meu consciente que tenho que mudar o corte do meu cabelo quando estou me sentindo dessa maneira. Desanimada, triste. Quando terminei com meu último namorado, cortei o cabelo no ombro e franja de lado. Para mudar a vida. Esquecer dele.

Ainda procuro alguém. Mas se eu não consigo me ajudar, quem vai? Tenho medo do meu futuro, que, aliás, não está nada longe. 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Alguns segredos conhecidos


Amores avassaladores. Descobri de uma maneira um pouco triste (não para mim) que as pessoas, normalmente, não gostam muito desse tipo de amor. Amores calmos, tranquilos, sem turbulências, de pouca (mas necessária) atenção, sem brigas e afins, são os que as pessoas preferem. Beijinho na testa, pequenas discussões necessárias por SMS, cafuné, mãos dadas... É o que as pessoas gostam: estabilidade, nada de coisas muito surpreendentes.

E para a minha grande sorte, tenho alguns (muitos) traços de pessoas que gostam do amor avassalador. Não que eu não goste de beijos na testa, carinhos e mãos dadas... Mas parece que eu preciso de mais do que isso. Quero abraço apertado, falar o que eu realmente penso e ficar calada enquanto você fala. Quero chorar de soluçar com a cabeça no seu colo e ouvir você dizer que eu não preciso chorar, que você está comigo. Quero que você fique bravo quando eu disser alguma bobeira de brincadeira, só para eu poder ficar brava com você também. Quero SMS e carro apertado de madrugada. Quero atenção. A sua atenção e a de mais ninguém. E queria que você pensasse em mim tanto quanto penso em você. Mas você é ocupado, eu sei. 

Você sabe... gosto de fazer amizades, mas não me comunico devidamente. E quando gosto de alguém, parece que eu pulo, com certo receio, em correntes marítimas. Sabendo que não vou voltar, mas que chegarei em outros lugares. Se melhores ou piores, ninguém sabe. E com você não foi diferente. Pulei na sua correnteza e deixei me levar sem olhar para trás. Só que sua correnteza me levou num lugar que eu nunca tinha chego antes. E que eu peço, por favor, não me tire dessa ilha, arquipélago, continente ou o que for.

E essa sua risada me quebra e me salva. Você sabe que a minha, às vezes, é só fachada. Seu sorriso me joga para outro mundo. Um mundo que eu inventei, e que, na verdade, esse mundo é uma grande parede azul claro cheia de fotos do seu sorriso. Não acho que seja algo psicopata.. Só gosto de te ver sorrindo.
Não quero me despedir para sempre de ti, quero sempre mais tempo, mais carinho, mais risadas, mais você. Porque eu amo você e só você teve a cura para as minhas feridas. Você é meu remédio, o meu barco de fuga, o meu consolo. 


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

E eu que



Às vezes, coisas que não queremos acontecem de maneira arrebatadora conosco. Tipo bater o dedinho do pé naquela cômoda, que você diz que vai mudar de lugar sempre que se machuca. Claro que não é a pior dor do mundo, mas... Cara, como dói! É insuportável. Porém, você nem liga. E porque ligaria? Você não está mais aqui. Não está aqui para esquentar meus pés no inverno. Para que eu me lembre de te lembrar de trancar o carro. Não está mais aqui para, quando minhas crises de choro vêm do além, dizer que está tudo bem e que vai ficar comigo, mesmo sem entender o que se passa dentro de mim. Para falar que sou boba, mas que gosta do meu jeito. Para dizer que eu não paro de comer, fico reclamando que estou acima do peso, mas diz que estou no ponto certo.
E você, simplesmente, não está mais aqui.
Acontecimentos arrebatadores passaram a acontecer mais e piores. E eu que não chorava mais de mês, me afoguei no chão do banheiro. E eu que não bebia, tomei uma tequila. Desceu quente, mas não esquentou. E eu que era sempre cheia de certezas, não sabia o que fazer. E eu que sempre enfrentei tudo e todos de frente, só quero fugir. Fugir de todos esses sentimentos obscuros, depressivos e piores, até. A tua alegria me faz falta, as tuas mãos me fazem falta, teu cabelo e teus olhos. Corro de todas as coisas que me fazem lembrar você, mas nem dormindo você me dá paz.
Por hora, ou para sempre, vou parar de escrever nesse projeto de carta, pois já estou atrasada e nem vou mandar para seu destino. Vou ao teatro com o pessoal do trabalho para dispersar minha mente de você. Rir e me distrair de tudo que me faça lembrar. Estão todos apostando se vou ou não, já que, depois de você, não havia mais saído com eles. Vontade de fazer quem apostou que eu ia dar o bolo em todo mundo mais uma vez ganhar, não falta. Mas tomei minha decisão e estou disposta a mudar. E, por mais difícil que possa parecer e ser, dessa vez nem você vai atrapalhar. Não vai mais ser uma pedra grande, espaçosa e incômoda no meu caminho. Boas novas virão para mim, e você será apenas folhas amareladas.