Essa cama de solteiro costumava ser tão aconchegante quando você estava aqui. Agora ela me parece tão grande sem você e, ao mesmo tempo, me parece tão pequena. Estou sem jeito para dormir. Desculpe, mas com as despesas e o salário daquele tamanho, não consegui comprar nem o colchão de casal. Além disso, eu nem queria, é bem melhor dormir pertinho de você que ficar todo espaçoso. Você mesmo disse isso.
"Um dia, não iremos mais dizer 'adeus', apenas 'boa noite'." Meu deus, você é tão poético.
Sabe, machuca querer muito algo e não poder ter. Você é esse tipo de algo. Vamos, desfaz essa cara amarrada, perdoe minha crises, minha voz alterada. Esqueça as brigas, aceite minhas desculpas, vamos fazer as pazes. A vida não costuma ser longa o suficiente para nós ficarmos desperdiçando por bobagens momentâneas. Estou disposta a jogar todo o rancor fora, fazer uma limpeza.
Você sabe, sou muito dependente. Dependente de amor, carinho. Pode ser que o termo "carente" seja o correto a ser usado. Eu preciso respirar você. Seu cheiro que ficou no travesseiro já está acabando. As pessoas perguntam se estou doente, se estou com anemia e outras pérolas. Mas não, não estou com nada disso. Estou apenas triste, com saudade.
Eu sei que meu maior problema é não aceitar certas realidades. Não aceitar que as coisas não sejam do meu jeito. Mas do seu jeito eu aceito. Porque o seu seu jeito é bom para mim, talvez até melhor que o meu jeito. Você é tão certo e tão errado ao mesmo tempo. Sem você aqui tudo fica errado. O telefone não toca, e quem vai tocar o violão? Esse quarto está vazio sem o barulho da sua presença.
Eu sei que você não merece minhas crises, mas isso vem no pacote também. Eu posso te ensinar a voar. Posso escrever algumas cartas fofinhas. Posso até tentar fazer uns poemas, apesar de não ser meu forte. Posso fazer o máximo para nós sermos felizes. Mas para isso preciso de você aqui. Então, porque não volta logo?

