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segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Diário de crises


























Estou no meu último ano de faculdade e, como todo aluno, estou dando graças aos deuses. Mas tenho comigo a sensação de angústia. Estou sem rumo.
Sem rumo, perdida, cadê o caminho? O que eu vou fazer?
Continuo com meu emprego e continuo fazendo os freela? Arrisco sair e ficar só por conta dos freelas? Faço pós, faço outro curso?
Tentei, por tanto tempo, me convencer de que era o caminho certo. Para falar a verdade, nem sei se estou no caminho certo ou errado. Não sei. E isso acaba comigo, porque algumas partes da nossa vida está tudo certo, caminhando conforme previsto, mas aí vem uma que está com um problema maior e tira o brilho das outras. Nada fica bom. Nada serve.
Fico me perguntando se o que me incomoda está ligado ao curso que escolhi fazer. Mexendo aqui no blog e passando algumas folhas, percebi que, por pouco mais de três anos, minhas crises são direcionadas à um tema só. Meu diário de crises está cheio de incertezas, instabilidade e uma maré sufocante.
Já tentei me fazer acreditar que a calma que eu preciso está em alguma porta por aqui. Perdi a chave e nada me faz achá-la. Nem São Longuinho achou, mesmo com tantos pulinhos prometidos.


quarta-feira, 18 de outubro de 2017


Acreditar.
É a força que tento ter todos os dias. Força para acreditar que esses dias difíceis passarão, assim como das outras vezes. Acreditar que coisas boas têm seu próprio tempo para acontecer, que a sensação de vazio não é para sempre. Que quem me guarda e protege sabe da minha instabilidade e a conheça mais que eu mesma. Que me soprem que não há nada nessa vida que eu não conseguirei enfrentar. Tenho que acreditar e ter a certeza que amo o que faço e o que pretendo fazer, que as pessoas em quem confio me amem também.
Que as palavras que recortei das revistas e jornais voaram com a brisa que passou há alguns dias e esse é o motivo do caos: não consegui reorganizá-las.Que eu vou voltar. Preciso acreditar que a calma está na porta ao lado e que a chave dessa porta ainda está por aqui. São Longuinho, São Longuinho... três, seis, nove, doze pulinhos.
Me faz acreditar.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Palavras aos meus avós e tia, mortos

Essas são coisas da minha cabeça que estão aqui desde que entendi que vocês existem. Ou existiram. Pode sair um pouco desconexo, mas são os pensamentos de uma criança e de uma pessoa com um "quê" desespero.

Qualquer pessoa que me conheça, jamais terá uma parcela de noção da quantidade de litros que já chorei pela minha família há muito falecida.

Hoje, há 29 anos e um dia.

Eu não sei como nem o porquê, mas eu realmente me desesperava e começava a chorar e não conseguia parar. O peito ficava levemente dolorido (da mesma maneira que está agora) e demorava passar.

Percebi, recentemente, que sou uma pessoa de toques. Gosto de alguém e quero tocar, abraçar, sentir o calor e a energia que emana desse alguém. E eu me sentia a angústia em pessoa por não ter essa sensação. De sentir o calor de vocês, de sentir o aroma dos cabelos e da pele.

Ainda há muitas histórias e memórias que não ouvi e que não conheço. Sei que muitas não serão verdades absolutas, pois não serão vocês me contando. Mas já é melhor que nada. Sinto gratidão e uma inveja descarada de todas as pessoas que já me contaram um pouquinho de cada um de vocês. Gratidão por me darem a oportunidade de guardar tudo dentro de uma caixinha no coração e seguir formando a minha versão de vocês. E inveja por essas pessoas saberem muito mais de vocês que eu com minhas poucas histórias guardadas na caixinha.

Você já sentiu saudade de alguém que nunca conheceu? De alguém que nunca sentiu o cheiro, nunca apertou as mãos ou deu um abraço? De alguém que você não sabe como é o timbre da voz, se fala manso ou apressado?

Eu sinto. E muita.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Segunda-feira, 28 de novembro de 2016

pinterest

Quem a vê sorrindo assim, não acredita que ela guarda alguns segredos ruins junto a ela e nem que é capaz de fazer coisas ruins. Não, não. Ela não faz essas coisas contras as pessoas, faz com si mesma e guarda junto a mente.

Ela gosta de fazer listas, mas se desinteressa rapidamente de cada uma delas. Às vezes, por falta do que colocar nelas, às vezes, por falta de tempo. Ela escreve, escreve muito. E quando ela é vista escrevendo em sua caderneta, é porque as coisas dentro de si não estão da maneira como deveriam. Mas ela escreve porque gosta de coisas antigas e quer ler seus pensamentos quando já tiver esquecido. Ela tenta dar sempre o seu melhor no trabalho, mesmo não conseguindo criar algo interessante e bonito, às vezes.

Ela gosta de ler e, eis aqui o seu mal: ela lê alguns romances baratos para diminuir um pouco das lágrimas acumuladas pelo tempo. Não chora só pelas histórias dos livros, chora pela sua. Mas que fique bem claro que ela também não sabe o porquê das lágrimas. Não sabe porque está chorando, não consegue explicar a sensação que sente e não entende o que a puxa para baixo, cada vez mais fundo, mais escuro.

Ela deixa isso registrado no caderno e continua lendo seus livros. Tentando se erguer.