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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Alguns segredos conhecidos


Amores avassaladores. Descobri de uma maneira um pouco triste (não para mim) que as pessoas, normalmente, não gostam muito desse tipo de amor. Amores calmos, tranquilos, sem turbulências, de pouca (mas necessária) atenção, sem brigas e afins, são os que as pessoas preferem. Beijinho na testa, pequenas discussões necessárias por SMS, cafuné, mãos dadas... É o que as pessoas gostam: estabilidade, nada de coisas muito surpreendentes.

E para a minha grande sorte, tenho alguns (muitos) traços de pessoas que gostam do amor avassalador. Não que eu não goste de beijos na testa, carinhos e mãos dadas... Mas parece que eu preciso de mais do que isso. Quero abraço apertado, falar o que eu realmente penso e ficar calada enquanto você fala. Quero chorar de soluçar com a cabeça no seu colo e ouvir você dizer que eu não preciso chorar, que você está comigo. Quero que você fique bravo quando eu disser alguma bobeira de brincadeira, só para eu poder ficar brava com você também. Quero SMS e carro apertado de madrugada. Quero atenção. A sua atenção e a de mais ninguém. E queria que você pensasse em mim tanto quanto penso em você. Mas você é ocupado, eu sei. 

Você sabe... gosto de fazer amizades, mas não me comunico devidamente. E quando gosto de alguém, parece que eu pulo, com certo receio, em correntes marítimas. Sabendo que não vou voltar, mas que chegarei em outros lugares. Se melhores ou piores, ninguém sabe. E com você não foi diferente. Pulei na sua correnteza e deixei me levar sem olhar para trás. Só que sua correnteza me levou num lugar que eu nunca tinha chego antes. E que eu peço, por favor, não me tire dessa ilha, arquipélago, continente ou o que for.

E essa sua risada me quebra e me salva. Você sabe que a minha, às vezes, é só fachada. Seu sorriso me joga para outro mundo. Um mundo que eu inventei, e que, na verdade, esse mundo é uma grande parede azul claro cheia de fotos do seu sorriso. Não acho que seja algo psicopata.. Só gosto de te ver sorrindo.
Não quero me despedir para sempre de ti, quero sempre mais tempo, mais carinho, mais risadas, mais você. Porque eu amo você e só você teve a cura para as minhas feridas. Você é meu remédio, o meu barco de fuga, o meu consolo. 


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

E eu que



Às vezes, coisas que não queremos acontecem de maneira arrebatadora conosco. Tipo bater o dedinho do pé naquela cômoda, que você diz que vai mudar de lugar sempre que se machuca. Claro que não é a pior dor do mundo, mas... Cara, como dói! É insuportável. Porém, você nem liga. E porque ligaria? Você não está mais aqui. Não está aqui para esquentar meus pés no inverno. Para que eu me lembre de te lembrar de trancar o carro. Não está mais aqui para, quando minhas crises de choro vêm do além, dizer que está tudo bem e que vai ficar comigo, mesmo sem entender o que se passa dentro de mim. Para falar que sou boba, mas que gosta do meu jeito. Para dizer que eu não paro de comer, fico reclamando que estou acima do peso, mas diz que estou no ponto certo.
E você, simplesmente, não está mais aqui.
Acontecimentos arrebatadores passaram a acontecer mais e piores. E eu que não chorava mais de mês, me afoguei no chão do banheiro. E eu que não bebia, tomei uma tequila. Desceu quente, mas não esquentou. E eu que era sempre cheia de certezas, não sabia o que fazer. E eu que sempre enfrentei tudo e todos de frente, só quero fugir. Fugir de todos esses sentimentos obscuros, depressivos e piores, até. A tua alegria me faz falta, as tuas mãos me fazem falta, teu cabelo e teus olhos. Corro de todas as coisas que me fazem lembrar você, mas nem dormindo você me dá paz.
Por hora, ou para sempre, vou parar de escrever nesse projeto de carta, pois já estou atrasada e nem vou mandar para seu destino. Vou ao teatro com o pessoal do trabalho para dispersar minha mente de você. Rir e me distrair de tudo que me faça lembrar. Estão todos apostando se vou ou não, já que, depois de você, não havia mais saído com eles. Vontade de fazer quem apostou que eu ia dar o bolo em todo mundo mais uma vez ganhar, não falta. Mas tomei minha decisão e estou disposta a mudar. E, por mais difícil que possa parecer e ser, dessa vez nem você vai atrapalhar. Não vai mais ser uma pedra grande, espaçosa e incômoda no meu caminho. Boas novas virão para mim, e você será apenas folhas amareladas.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A moça do bar



O lugar no qual ele mais se sentia inspirado, era naquele bar. Ele achava o bar um tanto quanto arrumado, e não tinha nada de buteco. Arrumadinho, ambiente agradável. Ótimo lugar para continuar seu livro. Ele precisava escolher uma das poucas mulheres para criar um personagem com um amor não correspondido. Talvez aquela magrela e alta que parece modelo. Não, não serve. Modelos ganham para andar sem expressão. Às vezes, aquela que parece uma índia com os cabelos longos sentada no balcão. Entretanto, pelo jeito como o cara grandão colocou a mão na cintura dela, parecia bem provável que ela não estava sofrendo por um amor platônico. Para ele, parecia que não havia nenhuma mulher interessante, até olhar para uma mesa no canto do bar.

A mulher tinha cabelos cor de fogo e escrevia numa pequena agenda, e havia também um pequeno notebook na sua frente. Depois de algum tempo observando-a, Bruno, o rapaz escritor à procura de uma mulher interessante, estava quase desistindo de tentar ver seu rosto. E, então, ela chamou o garçom e pediu mais do que estava bebendo. O rapaz, com cabelo de cachinhos, pode ver claramente aqueles olhos verdes e vibrantes, a boca rosada, a pele clara com poucas sardinhas. Ele era apaixonado por sardinhas, mas não contava para ninguém.

Porém, a mulher de cabelos vermelhos não tinha nenhum traço de desilusão amorosa, pelo menos não parecia. Então decidiu, subitamente, escrever sobre aquela mulher. Independentemente se ela estivera sofrendo por amor, seja fria ou a mulher mais sem cérebro que fosse. Não importa, ele estava disposto a mudar todo o enredo do seu livro para poder escrever sobre ela.

Então a mulher fechou o notebook e a agenda e colocou-os dentro de uma bolsa. Levantou-se da mesa, pagou e foi para a saída. Ficou algum tempo parada na porta, olhou para os lados e, então, saiu entre os carros. E ele precisava conhecê-la.


segunda-feira, 15 de julho de 2013

Garçom, por favor...


  Sei que finge não se lembrar mais de mim. Sei que finge não ter tido bons momentos comigo. Você está sentada de frente a sua melhor amiga nesse bar que um dia combinamos de vir conhecer. Não, não estou aqui te seguindo, caso venha pensar isso. Vim aqui conhecer, porque lembrei de ter o dito. Você está com o casaco azul que deixava no meu cabide, para quando precisasse. Está usando a saia que, assim que bati o olho e a vi na loja, logo pensei que suas pernas ficariam mais lindas nela. Lembro que você adorou. E ainda usa o brinco que comprou porque te lembravam meus olhos. Jabuticabas bem maduras.
Você se veste de todas as nossas lembranças e nem se dá conta disso.
Aliás, você está bonita. Espero que seja para você e não para impressionar alguém.

"Quando duas pessoas nascem para ficar juntas, elas ficarão juntas."
Que pensamento errado nós tivemos. Parece-me que não nascemos para ficarmos juntos. Porém, tentar esquecer o que passamos é baixo.
Essa carta, que pedirei ao garçom para te levar, não é por você. É um desabafo, por mim.
Sem mágoas, 
F.